Veganismo: a revolução que começa no prato

Por Helena Krüger
Via Ágora Online

Vegans durante um típico jantar vegano: sem carne e derivados de animais

“Enquanto corres livre e passeias na cidade, para teres carne, coiro e leite roubaste-me a liberdade. Liberdade, respeito e igualdade”. Esse trecho da banda vegan brasileira X Acto, representa um pouco da filosofia desse estilo de vida, que vai muito além de simplesmente não comer carne e ouvir bandas hardcore e punk rock.

Até mesmo em Guarapuava, uma cidade caracterizada por uma cultura agropecuária, (em que o churrasco no final de semana é quase uma tradição), existem alguns jovens que seguem um estilo de vida diferente. Além de não se alimentam de nada que tenha origem animal, eles seguem uma ideologia crítica acerca da sociedade e do mundo contemporâneo.

O termo vegan, derivado de vegetarian, foi utilizado pela primeira vez na década de 1940, por Donald Watson, fundador da Vegan Society (Sociedade Vegana do Reino Unido). O veganismo é um estilo de vida que prega o respeito e o direto de todos os animais. Dessa forma boicota todo tipo de exploração, seja no consumo de alimentos ou na utilização de animais para entretenimento (por exemplo: em circos, touradas e rodeios).

Segundo Robson Sivestre, veganeano e professor de história, dentro dessa filosofia de vida existem ainda algumas subdivisões: os abolicionistas que, como o próprio nome já diz, lutam para abolir totalmente a opressão animal, e os bem- estaristas, que lutam pelo bem estar e os direitos dos animais. Robson enfatiza as outras causas do movimento, como a proteção ao meio ambiente: “Resumidamente: o veganismo dialoga com a preservação do meio ambiente e combate a fome no mundo, pois se todas as terras em que são plantados grãos para fazer ração fossem plantados para produzir alimento para animais humanos com certeza a fome seria banida”.

Paula Hitomi Handa, 23 anos e estudante de engenharia de alimentos, é vegan há cinco anos e segue outros posicionamentos ideológicos. Ela é feminista, atéia, libertária e straight edge (que segue os princípios de anti-apatia, ser livre de drogas, boicotar grandes corporações e ter envolvimento com hardcore). Paula afirma que acredita na igualdade social acima de tudo, entre todos os seres. “Escolhi essa filosofia de vida por ser a mais certa. Por ser a mais verdadeira e pura. Porque através dela pode-se buscar a igualdade e a justiça, que é direito de todos, e é a única forma de todos viverem em paz e de se acabar com formas de opressão e desigualdade. Essa escolha me libertou”.

O professor de história fala sobre o fator cultural que se engloba o fato de comer carne. “Em Guarapuava, assim como em boa parte do Paraná e do Brasil, a cultura de se comer carne é o principal objetivo. Percebo que não é uma necessidade e sim uma questão imposta. Quando derrubarmos o mito que precisamos de carne para sobreviver conseguiremos nos libertar dessa imposição e crueldade alimentícia”, opina Robson.

Luiz Felipe Ribas, 22 anos também é vegano e trabalha como tatuador em Joinville. Ele exalta os valores da ser vegan. “Pra mim vai muito além de uma dieta saudável. É ter compaixão, ética, coerência e ser humano. Não consigo pensar em muitas coisas para falar sobre os porquês de ser vegan no momento, porque pra mim, não é uma questão de escolha, simplesmente é a coisa certa a fazer”.

Música

A influência musical do punk e do hardcore é fundamental para se entender o veganismo e outras causas como straight edge. Pode se dizer que as músicas e as bandas ajudam a mover esse estilo de vida. Robson, Paula e Luiz Felipe contam que conheceram o veganismo por meio da música, no universo hardcore. “As letras abordam temas que me motivam e me dão convicção. Pra mim, o hardcore punk é muito verdadeiro, embora hoje em dia seja contraditório, é um meio de me manter naquilo que acredito”, diz a acadêmica de Engenharia de Alimentos.

Luiz Felipe cita algumas bandas que ele gosta e tem um posicionamento ligado a essas ideologias. “Ouço muito hardcore e rap, para citar algumas bandas: Purification, Point Of No Return, Path of Resistance, Confronto, Still Strong, Earth Crisis, Nueva Etica, Youth Of Today, Chain Of Strength, Good Intentions”.

Alimentação

A nutricionista Renata Demário Vieira enfatiza a importância de quem se torna vegano procurar um profissional para orientação, já que as mudanças no organismo são muito drásticas. “O que acontece muitas vezes é a que pessoa toma a decisão e simplesmente para de consumir alguns alimentos sem substituí-los por outros com nutrientes equivalentes”.

Alguns alimentos, como as leguminosas (soja e feijão, por exemplo), são fontes de proteína vegetal que substituem a carne. “É necessário que haja um acompanhamento para se equilibrar os nutrientes no corpo, substituindo principalmente as proteínas que eram de origem animal por um vegetal, mas sem dúvidas um vegano pode ter uma alimentação saudável e completa”.

Renata alerta para a deficiência da vitamina B12, que é justamente encontrada em fontes como o leite, ovos e a carne, alimentos que os veganos não comem. A falta dela pode causar doenças e disfunções sérias. A nutricionista aconselha até mesmo o uso de suplementos em cápsulas ou em injeção para repor a B12.

Contra o sistema

Uma das ideologias do veganismo é ir contra algumas características do modo capitalista, como o consumismo e a desigualdade social. Dessa forma muitos veganos boicotam grandes corporações e multinacionais. “Pra mim, esse tipo de consumo engloba muitas outras causas, como o feminismo, na forma de como a mulher é vista atualmente, comparando-a com um objeto ou um pedaço de carne a ser explorado, assim como os animais; o capitalismo, onde todas as formas de vida, humanas ou não, são vistas como matéria-prima para produção e geração de lucros”.

Editado por Luciana Grande

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