Pecuária continua líder de desmates na Amazônia

Por Nathália Clark
Via Vegetarianismo

Dados divulgados pelo governo comprovam que pecuária supera agricultura em desmate na Amazônia Legal. Clique para ampliar.

Áreas de pastagem dominam 447 mil km² (ou 62%) dos 719,2 mil km² de áreas desflorestadas na Amazônia, enquanto que a agricultura ocupa apenas 4,9%. Os dados inéditos  divulgados na última sexta-feira (2) fazem parte do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAM), do governo federal. Para Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os resultados mostram que “há visivelmente uma população enorme que vive da pecuária, mas que não tem condições de manter uma atividade extensiva”. A pesquisa aponta também que, ao todo, há  70 milhões de cabeças de gado na Amazônia Legal.

De acordo com o estudo, as áreas degradadas (pasto com solo exposto) somam apenas 0,1%. Isso significa, segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, “que a floresta amazônica é mais forte do que imaginávamos”. Por sua vez, a vegetação secundária ocupa 21%, ou 150 mil km². Para Mauro Pires, diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente, a divulgação “foi a confirmação de algo que já suspeitávamos, que é a grande presença da pecuária dentro das áreas desmatadas”. “Nós sempre soubemos que o grande fator de desmatamento era a pecuária. Precisávamos consolidar esses dados para saber o que fazer com essa área”, disse Izabella Teixeira.
Flexibilização da legislação X otimização do espaço

Dos mais de 700 mil km² de desflorestamento na Amazônia, 62% correspondem a áreas de pastagem.

O estudo veio a calhar no momento atual, pois apresenta argumentos concretos que podem iluminar o debate sobre o “novo” Código Florestal, em apreciação no Senado Federal. Para Gilberto Câmara, não há necessidade de flexibilização da legislação, apenas de políticas públicas que utilizem melhor as áreas já produtivas.

Aloízio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, afirmou que os dados aumentam a convicção de que o país precisa combater de forma implacável o desmatamento na Amazônia, e propôs a criação de uma moratória conjunta contra o desmatamento. “Essa pesquisa constrói bases sólidas de argumentação. Existe convivência possível entre meio ambiente sustentável e um modelo equilibrado de agricultura, e a ciência, tecnologia e inovação são o caminho para o diálogo”, declarou.

Izabella Teixeira ratificou a posição do ministério sobre a legislação ambiental. “Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Não precisamos anistiar desmatamento, mas sim olhar o território de maneira estratégica para podermos cumprir com êxito os compromissos internacionais”.

As informações divulgadas vem de um mapeamento de uso e cobertura de áreas desflorestadas na Amazônia Legal produzido pelo projeto TerraClass, uma parceria entre o Inpe e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os dados do TerraClass estarão disponíveis para download no site a partir de amanhã, 6 de setembro.

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