Dica de leitura: Comer Animais de Jonathan Safran

Por Vegetarianismo

Vivien Lando – Colunista da Folha

Tem gente que nasce vegetariana, detestando carne e esnobando o bifinho que a mãe oferece. Outros, já pequenos adoram os animais, sem distinguir espécie.
E há os coerentes que apostam nas duas coisas ao mesmo tempo.
O escritor norte-americano Jonathan Safran Foer não pertence a essa categoria.
Quando criança, considerava a maior delícia o frango com cenouras da avó -que era praticamente tudo o que ela sabia cozinhar.
Também só se apaixonou por bichos aos 26 anos, quando adotou a cadela George, encontrada num meio-fio do bairro nova-iorquino do Brooklin, onde mora.
A diferença básica entre esses dois seres acima mencionados -e me incluo entre os primeiros- é o processo.
Às vésperas de ser pai pela primeira vez, Foer decidiu compreender em detalhes o que deveria passar ao filho em termos de alimentação. Para tornar-se um vegetariano sábio, decidiu escrever “Comer Animais”.
De certa forma, ele parte de George e da avó para elucidar e pesquisar a chacina em massa promovida pelas fazendas e granjas industriais, que além de matar animais, infligem a eles vidas desgraçadas.
A ponto de concluirmos que o fim seja um alívio. Galinhas e perus vivem em engradados, sem higiene, sob luz artificial para enganar seus hormônios, como se fosse uma eterna primavera.
E, portanto, devem crescer e procriar indefinidamente -botando muitos ovos. “Foi quando me dei conta de que uma vida excruciante é pior que uma morte excruciante”, espanta-se o autor.
O mesmo ocorre com os criadores intensivos de porcos, animais considerados inteligentíssimos.
A fêmea grávida é confinada a uma caixa de dimensões mínimas, onde esfola a pele e se estressa até o dia do parto -normalmente provocado por medicamentos.
Depois, é transferida com a ninhada para outra caixa e assim passa a maior parte da vida, se é que pode ser chamada assim.
O autor recorre à cativação quando se refere à destruição massiva de cavalos-marinhos em cada pesca extensiva de salmão e outros peixes comestíveis.
Captura feita com espinheis ou rede de arrasto, métodos que o homem cavou no mais profundo de sua crueldade. E opta por atiçar nosso medo quando revela de onde vieram as gripes suína e aviária -e para onde irão.
Assim como mira nossos estômagos ao relatar as condições de sujeira de todas essas criações em grande escala -e a enorme quantidade de porcos, bois, galinhas e peixes doentes e semimortos largados em tais locais.

Tenebroso

Quando estreou, com “Tudo se Ilumina” (2002), Foer narrou em tom encantatório a saga de famílias que viveram nos shtetlech (povoados) judaicos do leste europeu, antes de serem destruídos pelo nazismo.
O livro, fascinante e transportador, virou o filme “Uma Vida Iluminada” (2005), de Liev Schreiber, ao final do qual o personagem diz que “tudo se ilumina sob a luz do passado. Ele está sempre dentro de nós, olhando pra fora. Do avesso”.
Assim como quem fala de sua aldeia pode se tornar universal, quem reverencia seu passado -e os processos- consegue ser atual, e quem sabe olhar para um futuro de vegetarianismo geral.
“Comer Animais” é um livro de não ficção que parece ser completamente inventado, dados os fatos ali narrados. Tão tenebrosos que nem o ser humano se acredita capaz de tanta atrocidade.

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