Inglaterra lembra animais mortos em guerras

Por Lobo Pasolini (ANDA)

Carregando o peso da guerra

Por iniciativa da ONG de direitos animais Animal Aid, baseada na Inglaterra, os animais mortos em guerras feitas pelos humanos foram lembrados quinta feira (11) durante uma cerimônia no Hyde Park de Londres em um memorial construído especialmente para eles e chamado Animals In War Memorial.

A data foi introduzida cinco anos atrás e nos meses que antecedem a data a Animal Aid vende uma papoula roxa para ser usada na lapela para marcar a data. O evento contou com a presença do ativista de direitos humanos e animais, Peter Tatchell.

Exploração

Durante os conflitos humanos, os animais têm sido usados como mensageiros, para detectar bombas, patrulhar e resgatar, para tração e na linha de frente. Eles foram usados como companhia nas trincheiras e sujeitos a experimentos de armas de guerra em laboratórios. Os animais usados em guerras não são heróis; eles são vítimas. Eles não dão suas vidas; suas vidas são tomadas deles.

Valorizados por suas habilidades especiais e forçados a participar de guerras que eles não fizeram, os animais com freqüência são tratados como pouco mais do que objetos descartáveis, mantidos vivos pelo tempo que sua utilidade exigir e depois mortos ou abandonados à própria sorte.

Abandono

Depois da Primeira Guerra Mundial, milhares de cavalos foram abandonados ou vendidos para trabalhos forçados nos países onde eles haviam sido usados.

Cidadãos fugindo de ataques iminentes também abandonam animais. Em 2003, centenas de famílias israelitas que fugiram para o aeroporto de Tel-Aviv deixaram seus cães na beira da estrada. Muitos morreram enquanto outros formaram matilhas. Quando estes se viram obrigados a matar animais em fazendas para sobreviver, foram destruídos pelas autoridades.

Mensageiros

No ano 1.150 a.C., o Sultão de Bagdá utilizou pombos como mensageiros, uma prática que continuou até a Segunda Guerra Mundial. Apesar de serem alvos pequenos, milhares e milhares de pombos-correio foram mortos. Dos 17 mil pombos enviados para territórios ocupados na Primeira Guerra, menos de um em oito retornaram.
Embora cães não possam viajar tão longe quanto os pombos, eles foram usados de forma parecida como mensageiros. Mais de sete mil pessoas ofereceram seus cães para o exército durante a Primeira Guerra enquanto outros cães foram tirados de abrigos. O treinamento era aterrorizante e aqueles que não se qualificavam eram “eutanasiados” ou, como os Collies Bell, Cosy e Surefoot, mortos por serem ‘inúteis’.

Aqueles que se qualificavam encaravam perigos maiores nos campos de batalha. Um cão – cujo nome não foi registrado historicamente – carregou mensagens durante semanas com uma bala em seus pulmões e um estilhaço encravado em sua coluna.

No Vietnã, cinco mil cães serviram com as tropas americanas. Desses, apenas 150 voltaram para casa; o restante foi abandonado à sorte quando as tropas seguiram em frente.

Detecção de perigo

Durante a Segunda Guerra, canários e camundongos eram enviados para dentro de túneis cavados por trás de linhas inimigas para detectar ar ruim e gás venenoso. Cães eram usados para detectar minas. Seu treinamento envolvia choques elétricos. No campo de batalhas eles eram capazes de detectar apenas 50 por cento das minas, quando então eles eram exterminados. Os cães continuaram a ser usados como patrulheiros, avisando da presença de patrulhas inimigas.

No Vietnã, os cães eram usados para buscar armas dos vietcongs e armadilhas. Dessa forma eles salvaram milhares de vidas, mas não foram recompensados por isso. A maioria morreu de ferimentos, insolação, ou foram abandonados e deixados para o inimigo quando a guerra acabou.

Recentemente, leões marinhos foram treinados pela marinha americana para detectar intrusos submarinos e colocar grampos em suas pernas. Quando eles não estavam trabalhando, eles eram mantidos em cativeiro onde eles não podiam nadar, brincar ou caçar naturalmente.

Golfinhos já foram treinados para buscar minas no fundo do mar. Além do perigo a que eles são expostos, eles são mantidos em cativeiros e transportados ao redor do mundo e encarcerados em tanques e navios de guerra. Tudo o que eles conhecem é retirado deles; seus instintos e desejos são reprimidos.

Resgate e proteção

Em ambas as guerras mundiais, os cães foram usados fora do país para buscar soldados caídos e aqui eles eram treinados para retirar os mortos e feridos dos destroços de construções bombardeadas.

Presa em um edifício que havia caído, Peggy resgatou um bebê que estava sufocando sob o gesso. Ela fez um buraco de ar para o bebê e esperou até que a ajuda chegasse.

Os cães também davam proteção a indivíduos e também para companhias inteiras.

Tração e carga

Milhares de camelos foram sacrificados quando forçados a trabalhar fora de seus ambientes naturais. O líder militar russo do século dezenove Mikhail Skobelev levou consigo 12 mil camelos quando ele lutou na Ásia. Ele voltou com apenas um. Na Guerra da Crimeia, os britânicos perderam 30 mil camelos simplesmente porque eles não sabiam como cuidar deles. Na Primeira Guerra Mundial, os camelos eram montados até eles caírem de exaustão.

Durante a Campanha de Birmania contra os japoneses em 1944, mulas eram usadas para transportar equipamento militar pela floresta densa, mas os animais tinham suas cordas vocais feridas para silenciar seus gritos. As mulas eram depois drogadas e jogadas de pára-quedas atrás das linhas inimigas.

A lealdade das mulas não era retribuída. Quando os soldados foram resgatados de Dunkirk em 1940, suas mulas foram abandonadas nas praias. Nem mesmo os elefantes, elogiados pela sua inteligência e dignidade, podiam estar certos da lealdade humana. Usados em campanhas militares na antiguidade para carregar soldados até a batalha e mais recentemente para carregar equipamento para a construção de estradas e pontes, muitos elefantes foram sacrificados em guerras.

No ataque de Aníbal contra a Itália em 220 a.C., apenas um dos 37 elefantes sobreviveu o frio. Na Segunda Guerra, os britânicos deliberadamente bombardearam elefantes sendo usados para transportar equipamento japonês.

Cavalo morto na Primeira Guerra

Na linha de frente

Mais de oito milhões de cavalos morreram carregando homens, munições e armas para dentro da batalha na Primeira Guerra. Muitos morreram pela exposição ao tempo, doença e fome.

Durante a Segunda Guerra, os cães eram mantidos em trincheiras aliadas e outros eram enviados para atrair fogo inimigo. Muitos eram levados para a linha de frente por soldados que não queriam deixar seus companheiros para trás e sofreram a mesma morte dolorosa que seus tutores humanos.

Silver, um cão sentinela, e Peefke, que haviam sido treinados para detectar minas pelo exército americano, foram ambos mortos por granadas de mão em 1945.

Abrir mão das vidas de animais ainda é uma prática bélica contemporânea. Em Jerusalém em 2003, um palestino amarrou uma bomba de controle remoto em um burro e o enviou para sua morte entre soldados israelitas.

Apoio e companhia

Enquanto alguns animais foram deliberadamente levados para a linha de frente, outros que haviam perdido sua morada por causa da guerra foram pegos por soldados que passavam no caminho. Muitos foram novamente abandonados quando os soldados seguiam caminho.

Muitos mascotes, inclusive Voytek (um urso) adotados por poloneses na Pérsia, Donald (um veado), mantido pela Royal Highlanderss e Tirah (um burro), mantida pela infantaria do rei na Índia, eram inebriados, presumivelmente para entreter os soldados. Esse comportamento irresponsável raramente tinha um final feliz. Voytek foi passado para o zoológico de Edinburgo. Donald ficou tão perturbado pelo tratamento que recebeu que ele tornou-se agressivo com as pessoas e foi morto a tiros. E Tirah, irritada com sintomas da abstinência de álcool, foi abandonada quando o regimento seguiu adiante.

E apesar de tudo, os animais levantavam a moral e ajudavam os soldados feridos a recuperar a sua saúde. Uma cadela chamada Daisy estava a bordo de um navio norueguês quando ele foi atingido por um torpedo. Os membros da equipe que sobreviveram foram lançados no mar gelado. Durante a noite, Daisy nadava de um homem para o outro, confortando-os e encorajando-os com lambidas em seus rostos. Ela recebeu uma medalha da RSPCA por mantê-los vivos naquela noite.Um outro cão, Bob, que estava na linha de frente da guerra de Boer, carregava água para tropas sob o fogo. Ele enchia garrafas de água amarradas no seu corpo deitando-se em uma corrente e as levava de volta para os homens quando elas estavam cheias.

Pesquisa

Mais de 21 mil animais, incluindo macados, ferrets e porcos, foram sujeitos a experimentos no centro secreto de experimentos em Porton Down em Wilshire em 2005. Nesse laboratório do Ministério da Defesa, milhões de animais já sofreram e morreram desde que ele abriu em 1916.

Ovelhas, cabritos, camundongos, porquinhos da índia, macacos, cães e gatos são usados para testar o poder letal de armas químicas e os efeitos de seus antídotos. Porcos ficaram com bolhas penduradas depois de experimentos com gás mostarda. Porquinhos da índia defecavam sem controle depois de serem expostos ao gás Soman. Cães tremiam descontroladamente graças ao gás de controle de multidões.

Os porcos tiveram 40 por cento do seu sangue drenado e injetados com E Coli enquanto macacos foram expostos ao antraz. Porcos foram drogados, amarrados e feridos a bala para que médicos pudessem praticar “cirurgia de batalha”. Cientistas empregados em treinamentos de guerra exploraram muitos métodos de matar pessoas praticando com animais.

Na Segunda Guerra bombas eram cirurgicamente amarradas aos morcegos por cientistas americanos com o objetivo de jogá-las sobre cidades japonesas.

Recursos descartáveis

Em 2003, iraquianos partindo para o Kuait atiraram em um elefante no zoológico de Kuwait e soltaram hipopótamos. Outros animais foram mortos a tiros ou incinerados em suas jaulas. O fotógrafo Steve McCurry disse: “Eu estava dirigindo pelos campos de petróleo durante semanas após o fim das hostilidades e encontrei com freqüência gado, camelos e cavalos vagando como zumbis. Eu imagino que a maioria acabou morrendo – todos os poços de água e a vegetação estavam cobertos de óleo”.

Animais vivendo em zonas de conflito não têm escolha. Como muitos humanos, eles são vítimas de guerras que eles não fizeram e sobre as quais não têm controle. Mesmo aqueles que levantaram a moral e salvaram vidas não puderam contar com os humanos para cuidar deles e os proteger.

Organizações como a WSPA e a Sociedade de Proteção de Animais no Estrangeiro (SPANA) trabalham em países onde a guerra deixou animais vulneráveis e sofrendo. Tais organizações, que operam com fundos doados pelo público, trabalham duramente para proteger animais quando eles são abandonados ao destino.

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