Artigo: História da Alimentação

Por Juliana Sales

A alimentação faz parte da cultura de base de todos. Contar a sua história desde a pré-história até a vegetarianismo é necessário para que percebam as mudanças e o que alimentação interfere na sociedade.

Alimentação desde a Pré História

Frutas, folhas e grãos forneceram ao homem pré-histórico calorias essenciais que necessitavam. Os estudiosos escrevem mais sobre os produtos da caça e da pesca do que sobre os alimentos vegetais, isso se deve aos vestígios deixados no solo, somente agora se começa a desenvolver métodos para estudar e medir as respectivas partes de vegetal e determinar quais os tipos que eram consumidos.

A caça organizada interferiu diretamente na forma de vida da sociedade, pois foi criada uma nova organização social e familiar para esses atos.

O conhecimento sobre as artes do fogo, fez com que o hábito nutricional se modificasse. As técnicas para melhorar os alimentos a serem digeridos como assar e defumar, assim como a secagem, estocagem já estava se desenvolvendo. O cozimento dos alimentos só começou a ser realizado após a fabricação de cerâmica. (Flandrin e Montanari 1998).

Carneiro (2003) diz que anos antes do início da agricultura o homem era um ser onívoro. Na era paleolítica o aumento de caça e o consumo de carne foram significativos, caçavam animais de grande porte como ursos, rinocerontes e elefantes. Com o tempo foram desenvolvendo caças de manadas de renas, cavalos, bisões e mamutes.

Os homens do período mesolítico, época que ocorreu a revolução alimentar, preferiam animais menores, cervos, javalis, entre outros, iniciando a pratica da pesca e coleta de frutas e cereais para sua alimentação. A evolução das primeiras civilizações, fez com que o consumo de carne e inicio da criação de animais para corte, bovinos, ovinos, caprinos e suínos tivesse um acréscimo notório.

Interferindo na economia de caça e coleta a dieta alimentar do mesolítico é considerada uma transformação da história da humanidade, ou seja, a passagem da coleta e da caça foi um avanço para a evolução da cultura humana.

Flandrin, et al. (1998) dizem que o antigo Egito tinha como visão que a saúde e longevidade partiam do que eles se alimentavam por isso o consumo de certos alimentos como cereais, pãezinhos de cevada, queijo, entre outros.Ainda no antigo Egito cerca de 1.400 a.C eram usados como alimentos, farinha, gordura, laticínios, carnes, aves, peixes, sal, alho, cebola, tâmaras, uvas, abacates, bagas de zimbros e grãos de cominho.

Na Grécia antiga os homens eram arboricultores, plantavam vinhas e oliveiras, misturadas com cereais e legumes nas planícies, cultivando amendoeiras e figueiras nos campos.

Carneiro (2003) nos mostra que as ervas aromáticas e outros recursos vegetais como carvalho, açafrão, quermes, faziam parte da alimentação dos camponeses gregos.

A Roma tinha uma “cultura sacríficial: um animal doméstico não podia ser transformado em carne consumível, isto é, morto e cortado em pedaços, sem que tenha sido sacrificado em um ritual. Com esse sacrifício cruento, os romanos definiam sua identidade de homens civilizados e de membro de uma comunidade social.” Tornando o ato de comer carne, algo religioso, sendo a carne o principal atrativo das festas romanas.

Os romanos perceberam que a agricultura, não trazia tanto lucro quanto a criação de animais, contando com o aumento da população urbana, ouve crescimento no comércio de trigo, a carne sacríficial não tinha preço controlado, assim como o trigo.

Na antiguidade a união da saúde com a alimentação foi mais visada, fazendo com que as pessoas utilizassem de dietas para uma melhor alimentação.


No inicio da idade media os regimes alimentares começaram a mostrar diversidade em grupos sociais revelando suas diferenças, quanto mais produtos animais na mesa mais rica a pessoa seria, enquanto os camponeses faziam sua alimentação à base de cereais sendo considerada a melhor forma de alimentação.

Utilizando da alimentação para diversas ocasiões, para tomadas de decisões como celebrações em grupos, familiares ou individualmente a refeição era reconhecida e utilizada como sinal de criação ou de reconhecimento de um laço social.

Na baixa idade media, diminuiu o crescimento demográfico e assim a economia agrária pode se estabelecer ligando o meio rural com o urbano provocando um aumento das necessidades alimentares. Com curiosidade de conhecer sabores novos, a gastronomia urbana começou a utilizar da carne de carneiro pra se alimentar.

Flandrin et al. (1998) dizem que os hábitos alimentares começaram a mudar após o uso de açúcar nas bebidas quentes, na idade moderna, e para o preparo das carnes, trazendo a miscigenação dos alimentos, utilizando de plantas para consumo de bebidas excitantes.

A frança dominava a culinária, sendo uma grande influencia mundial houve a manifestação na escolha dos alimentos e na preparação dos mesmos. Crescimento no uso de legumes e vegetais pela elite, por oferecer uma alimentação mais nutritiva e diversificada e diminuindo o consumo de carnes, aprimorando as técnicas de cozimento.

Paglinaro e Hirata (2006) dizem que a dieta naturalista utilizada nos tempos modernos tem como objetivo o uso de alimentos de origem vegetal da forma mais natural e fazendo uso de carnes brancas (peixes e aves), sem hormônios.

Utilizando alimentos orgânicos, sendo os produtos industrializados banidos da dieta, o não uso de produtos refinados assim como sal, açúcar e farinhas, consumindo pães e todos os tipos de massas integrais.

A troca de açucares refinado por mel e frutas é feita por naturalistas mais radicais os demais fazem a substituição por açucares, mascavo e orgânico.

A alimentação é feita na maior parte por alimentos crus, cozidos e assados, a fritura não faz parte de seus cardápios.

Os naturalistas vêem a industrialização de alimentos como algo prejudicial à saúde, pois altera as características naturais dos alimentos. O uso de agrotóxicos nos alimentos não foi provado cientificamente que traz malefícios à saúde dos seres humanos, mas alguns cientistas acreditam na ligação de doenças com produtos industrializados.

“Um cardápio natural – desde o cultivo do alimento até o seu preparo – seria capaz de prevenir males cardiovasculares e intestinais, hipertensão arterial, acúmulo de colesterol ruim (LDL), entre outros.”

Hoje a alimentação natural vem atraindo pessoas que a consideram a mais saudável por todos os benefícios que traz a saúde e pessoas que querem emagrecer sem o uso de remédios.

Alimentação Vegetariana

Blix (1992) afirma que “o pai do vegetarianismo” é o matemático Pitágoras, que deu inicio a nova dieta que era chamada de “pitágoricos”, o termo vegetarianismo só começou a ser utilizado após a criação da Fundação da Sociedade Vegetariana Britânica (1847).

Pitágoras acreditava que o regime da alimentação vegetariana trazia benefícios e harmonia entre os seres humanos e os animais, pois a crueldade para com eles, ”embrutecia a alma das pessoas”. Os argumentos que favoreciam a dieta vegetariana eram: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica.

Apesar de Pitágoras ser nomeado o fundador da dieta vegetariana, o não consumo de animais por algumas populações já havia dado inicio por influência religiosa, desde o Antigo Egito.

Ferreira (2004) diz que na China, não existia animais de consumo, assim vivendo de suas plantações de arroz e da pesca.

O inicio do Budismo fez com que a caça e a pesca fossem banidas pela população japonesa.

Na Índia se considerava a melhor forma de alimentação aquela que tinha como base, cereais e frutos.

Para civilizações antigas do mar mediterrâneo a carne não era considerada um bem necessário, em determinadas épocas a venda de carne era proibida.

A ligação das religiões e o vegetarianismo tiveram um aumento notório na Inglaterra do século XV, onde deu inicio ao vegetarianismo moderno, (Blix 1992).

Na América do Norte a dieta vegetariana teve inicio com a Guerra Civil juntamente com o apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Após a segunda guerra a sociedade modificou sua forma de pensar sobre a alimentação sem carne. Hoje existem diversas pesquisas cientificas que mostram o crescimento de pessoas que estão aderindo à dieta vegetariana.

Com a população global a crescer de forma exaustiva e os recursos a decrescerem de forma assustadora, o vegetarianismo/veganismo é considerado por muitos como a solução para todos os problemas da humanidade e irá influenciar grandemente o futuro das gerações que se seguem. (Ferreira 2004).

Referencia bibliografica

CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. 2ª Ed. Rio de Janeiro, 2003.

FLANDRIN, Jean-Louis; e MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 3ª Ed. São Paulo, 1998.

PAGLIARO, Maria Tereza e HIRATA, Lilian. “A Natureza em sua mesa”. Viva Saúde. Jul, 2006. Disponível em
<http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/27/artigo22362-1.asp&gt;. Acesso em 29 jul, 2009.

BLIX, Dr. Glen. História do vegetarianismo. Vegetarianismo, 15 mai, 1992. Disponível em:
<http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_ content&task=view&id=273&Itemid=96> Acesso em 2 jun, 2009.

FERREIRA, Silva. Vegetarianismo ao longo da história. Centro Vegetariano, 23 mai, 2004. Disponível em:
<http://www.centrovegetariano.org/Article-300-Vegetarianismo %2Bao%2Blongo%2Bda%2BHist%25F3ria.html>. Acesso em 2 jun, 2009
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